"ÂNIMO, MILITANTE!Sabemos que há um tempo para tudo; que se ligam o presente e o passado, pois o que foi não se encontra superado, e o que é está caindo em desapreço. Mas é o futuro que está sem endereço e precisa de uma forte intervenção. Falta um acerto na canção e pôr as notas na nova melodia; ascender em cada mente a rebeldia e pôr-se em marcha na mesma direção.." Ademar Bogo
E a grande polêmica se reabre, "coincidentemente" em outro momento de acirramento da luta de classes, de crise política e econômica, mais ainda num momento onde Michel (Fora) Temer avança em mais medidas que cortam nossos direitos básicos, inclusive volta o debate da fome e da sobrevivência.
Minha intenção com esse texto não é de convencer ninguém, nem gerar polêmica, é debater simplesmente e colocar perspectivas sobre a questão da saúde mental principalmente, dando todo o crédito e reconhecendo a importância pra esse debate do texto da companheira da Marcha Mundial das Mulheres, Bruna Rocha, que fez uma ótima reflexão sobre a questão dando mais embasamento pra gente continuar esse debate sempre na perspectiva revolucionária de avançar e mudar as coisas.
Uma coisa que minimamente já temos entendimento é que vivemos em uma sociedade capitalista, patriarcal e racista, onde essas opressões são estruturantes e interligadas, fazendo com que nossas mazelas e construções de indivíduos perpassem por tudo que isso significa, sendo diretamente oprimido por alguma dessas coisas, ou simplesmente participando disso na sua vivência, aí as questões específicas (as vezes grandes coisas, não tirando a importância de cada uma dessas coisas por serem específicas) disso vão depender de onde você vem, composição familiar, condição financeira, religião ou não, periferia ou região central da cidade, padrão de beleza e várias outras coisas que nos formam como pessoas em sociedade, repetindo, em sociedade.
Me considero MILITANTE a 6 anos, desde 2012, que foi quando assumi pra mim um projeto de transformação de sociedade e me convenci a assumir esse projeto pra minha vida, me abrindo a cada vez mais me transformar em disposição a esse projeto, melhorando cada vez mais meus desvios e limitações que nossa sociedade capitalista constroem desde que a gente nasce, assim como, individualismo, meritocracia, personalismo, e muitas outras coisas, e foi difícil, foi não, tá sendo difícil, é cada dia uma crítica e auto crítica mais pesada que a outra, o processo nunca para, muitas vezes somos responsáveis e responsabilizados por nossas atitudes individuais, ou responsabilizados por erros do movimentos, mas aí nisso oque é individual e o que é coletivo? Ta aí a chave, as duas coisas se entrelaçam, como se não existisse aí eu, ou todo mundo.
Independentes e não militantes não tem ideia quantas vezes nós já choramos e perdemos noites por erros ou divergências do movimento como um todo, ou picuinhas irresponsáveis que criaram em relação ao nosso movimento, ou brigas internas que reproduzindo os vícios do sistema acontecem e nos fragilizam como coletivo ou a nossa ou nosso companheiro, movimentos são feitos e construídos por pessoas, e SIM nós nos machucamos, foi nos espaços internos do movimento que a gente teve que segurar e fazer reuniões e dar abraços e secar crises de choro compartilhando carinho pois em outros espaços não temos essa coragem, não temos CONFIANÇA, a sociedade nos ensina a sermos sozinhos e quando aperta o coração temos que fingir que estamos bem, que temos que adoecer e definhar sozinhos, continuar trabalhando e vivendo, pra não parar a engrenagem.
A militância me ensinou a cuidar, a abraçar, a ter carinho, a perguntar o porque uma pessoa está mal, e o mais importante pra mim, me ensinou a me abrir, a chorar, a compartilhar tarefas, festas e mazelas, também a não segurar meus nós na garganta, não me calar, nem segurar o choro. Me ensinou que já errei muito me relacionando com pessoas, ainda estou aprendendo, me ensinou a me calar e pensar duas vezes antes de falar, mas também a falar seguramente quando tiver aqui engasgado, a me mover, a ser paciente, a amar quem compartilha comigo um sonho, também uma utopia, o mais importante, rever meus erros, voltar atrás, pedir desculpa, me colocar no lugar da outra pessoa, cultivar amizades e saber que gosta de pessoas sem nem mesmo conviver com elas, pois temos um sonho.
Aprendi MUITO, mas tenho certeza que ensinei muito e as vezes que pessoas militantes me machucaram, parei e pensei como expor esse incômodo a ela, pois amanhã posso machucar a mesma e quero que ela seja carinhosa comigo e me ensine, já que me propus a mudar a mim, seria muita arrogância da minha parte mudar a sociedade e ficar intacto, congelado e sem transformar nada em mim ou a minha volta, que felicidade eu teria se não fosse ver novos sorrisos compartilhando um projeto de sociedade, ou aquele sorriso de mais tempo, um pouco mais amarelado ainda compartilhando comigo de mãos dadas?
Aprendi que o meu projeto sozinho, solitário, não faz sentido, que o meu projeto de vida é o projeto popular, a nossa sociedade cobra respostas rápidas pra gente e tudo muda muito rápido, mas o tempo do movimento é outro, não tem que ser assim rápido, essa pressa nos adoece, se nos é cobrado assim rápido, quem tá do seu lado tem outro tempo, respeite isso, não tem que ser da sua forma, nem da minha, mas do coletivo, do debate e amadurecimento de várias pessoas, não só seu.
Temos que pensar o TEMPO INTEIRO nas pessoas que estão do nosso lado, se eu não estou bem, não tenho abertura de falar ou fazer oque eu quiser por isso, não sei se a pessoa que tá do meu lado está, quantas vezes já não engoli minha crise pelo bem do movimento, entendendo que teremos tempo, nosso projeto é de décadas, quantas vezes já não foram irresponsáveis comigo porque teve algum problema e eu só queria conversar sobre meus problemas, queria chorar, mas julgaram que eu não tinha problemas e tive que esconder o meu, nem todo mundo consegue se abrir.
Escrevendo esse texto me veio várias situações e vários rostinhos na minha cabeça e que me motivou no conteúdo, mais uma vez foi uma construção coletiva, como tudo na nossa vida, principalmente se você escolhe ser militante, escolhi erguer o punho esquerdo, o mais próximo do coração, me imagino entregando meu coração a cada vez que gritamos uma palavra de ordem e erguemos o punho, me entregando praquilo que gritamos, que sai aqui do peito, que respiramos luta.
Saúde mental INFELIZMENTE ainda é um debate "classe média", INFELIZMENTE, temos que debater melhor, com mais seriedade pra que todas as pessoas tenham acesso, mas paciência, com nós mesmos e com a pessoa do lado, as vezes falar sobre isso machuca, e só queremos esquecer as mazelas.
"Você é tão legal, mas o seu movimento não." Oque sou eu? Oque é o movimento? Oque é culpa de quem? Escolha uma pessoa pra culpar se faz seu coração mais calmo, mas vai culpar quem? Resolveu? Não, não vai resolver.
Eu sou o Levante Popular da Juventude e o Levante Popular da Juventude sou eu, eu te machuquei, ou o meu movimento te machucou? Não foi essa nossa intenção, desculpa do fundo do meu coração, conversa com a gente, somos um só.
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